segunda-feira, 20 de julho de 2015

Whiplash: Em Busca da Perfeição - A legitimação do Assédio Moral

           Whiplash: Em Busca da Perfeição (Damien Chazelle),  foi vencedor do Festival de Sundance em 2014 e bastante aclamado pela crítica em geral. Conta a história de um jovem estudante, interpretado por Miles Taller,  de um consagrado conservatório que sonha em ser uma lenda da música. Após ensaiar muito, ele consegue o posto de baterista substituto na banda principal da escola, comandada pelo impetuoso Terence Fletcher (J.K Simmons).
           No decorrer do filme, observa-se a tentativa do jovem baterista de conseguir ser um grande instrumentista e ganhar o aval do exigente e maníaco maestro Terence Fletcher. Este, nos ensaios de sua grande banda de jazz, humilha, constrange e em seus acessos de fúria, chega ao extremo de agredir fisicamente seus pupilos, como tapas na cara e arremessando cadeiras no baterista.
           
            Porém, no transcorrer da história, o próprio protagonista, o baterista humilhado, tenta legitimar toda a agressividade do maestro. Entende o jovem que para ser tornar uma lenda da música, para transcender à mediocridade é necessário passar por as mais diversas superações. Mesmo ficando com raiva do maestro, sempre entende que no fundo o mesmo tem razão. Assim, deixa de lado relações familiares e afetivas.
             O experiente ator J.K Simmons, conhecido por papeis menores, como o pai da Juno (Juno) e o patrão de Peter Packer (Homem Aranha) John Jonah Jameson, tem a possibilidade de mostrar seu grande talento dramático, sendo que sua atuação brilhante como o maestro ensandecido lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante. 

              O filme traz belas performances musicas, como da música título Whiplash e Caravan. Músicos e admiradores de música ficam encantado com as execuções da banda do maestro ditador.
                
                 Porém o aclamado título tem defeitos graves, não relatados pela crítica que o aclamou como grande filme. O jovem protagonista, sofre um grave acidente de carro e ao invés de procurar cuidados médicos comparece à uma apresentação e toca sua bateria. Situação pouco crível, visto a gravidade do acidente e do esforço necessário para a execução do instrumento de percussão.

                 Mas o mais deplorável é justamente a defesa da ideologia de que o assédio moral é legítimo quando se trata da descoberta de grandes talentos. Tal ideologia muito presente nas grandes empresas acaba por gerar humilhações e transtornos psicológicos em seus trabalhadores que são submetidos a pressões cada vez maiores por seus gerentes e coordenadores. 

                 Dessa forma, em que pese o fato da atuação de J.K. Simmons ser brilhante, das belas sequências de números musicais, tem cenas pouco realistas e é carregado de uma ideologia quase fascista, não observada pela maioria da crítica que teceu loas à esse filme. 



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